Um novo estudo publicado na PLOS One, da autoria das investigadoras do CIES, Marta Entradas (coordenadora do estudo), Yan Feng e Inês Carneiro e Sousa, aborda as “zonas cinzentas” da integridade científica. O estudo revela que há práticas questionáveis de investigação que são comuns em universidades portuguesas e, frequentemente vistas como pouco graves ou normalizadas no cotidiano académico.
Partindo da premissa de que, apesar das boas intenções, a prática científica nem sempre segue plenamente os princípios da integridade, o estudo analisa como investigadores em instituições portuguesas percecionam e admitem comportamentos conhecidos como práticas questionáveis de investigação (QRPs). Os resultados mostram que a maioria dos investigadores admite ter recorrido a pelo menos uma destas práticas, sobretudo em questões de autoria, citações e revisão da literatura. A prática mais comumente reportada refere-se à inclusão de co-autores que não contribuíram para o estudo.
O artigo identifica ainda que investigadores mais jovens e investigadores com maior número de publicações tendem a relatar mais frequentemente este tipo de comportamentos. Contudo, é a perceção da (não) gravidade das práticas que surge como maior determinante destes comportamentos: os investigadores reportam práticas que não consideram graves.
Para além das dimensões individuais, as autoras sublinham a importância do contexto institucional, destacando o impacto da pressão para publicar, da precariedade nas carreiras científicas e dos sistemas de avaliação baseados em métricas, na normalização destas práticas. O artigo contribui assim para uma reflexão crítica sobre integridade científica, cultura académica e políticas de investigação.
